"SABER ENVELHECER É TER BRILHO NA ALMA E MAGIA EM SI"
Neste final de semana, sentada na areia da praia, na cidade
de Santos, encontrei uma jóia valiosa, o Sr. Pakerson. Oitenta e dois anos, boa
aparência, ainda que velho, arrumado nos seus trajes de praia, chapéu, sentado
em uma cadeira de plástico, em baixo de um guarda sol, na beira do mar, o Sr. Pakerson serenamente tocava
sua flauta, em tons tão calmos quanto a sua aparência.
Aaah, Sr Pakerson, se você soubesse o quanto me fascinou vê-lo tocar tão serenamente sua flauta, sentado na beira do mar.
Eu queria envelhecer como ele, com a alma viva, brilho nos olhos e na face, alegrando as pessoas, simplesmente, com sua presença e sua melodia, em um dia ensolarado.
Eu queria envelhecer assim “molinha”, sem amargura, dura e cheia de cascas.
Aquela cena me encantou. Parei. Não me contive e fui um pouco mais perto e fiquei ouvindo... Ele tocava bem e sem pressa, tinha tanta calma... uma paz... era um tocar de quem já viveu muito e sabe que a pressa não combina com as mais belas poesias. Fui chegando mais perto, sem querer invadir, sentando cada vez mais pertinho, até que estava lá, bem do lado dele, olhando aquela paisagem maravilhosa do mar e me deliciando com a música e com aquele momento de paz inusitado.
Comecei então a observar as pessoas. Tinha umas que passavam batido pelo sopro da flauta. Outras sorriam, algumas paravam e esperavam que ele terminasse uma música para parabenizá-lo. Algumas pessoas sentaram-se, maravilhados com a música, como eu, e o Sr. Pakerson, aaah... Esse sorria, dava pra perceber em seus olhos o quanto estava feliz com a platéia.
Mas o que será que existia de tão encantador, no Sr. Pakerson, que foi capaz de me dispersar por um longo tempo, fiquei me perguntando.
E não fiquei nem um pouco surpresa quando a resposta que
veio até mim foi: VIDA! Sim, existia vida na sua alma, na sua música, no seu
sorriso.
Mesmo com a idade avançada, ele continuava vivo! E isso
torna uma pessoa inesquecível no seu ato de brilhar, acreditem. Tinha um brilho
extraordinário naquele sorriso, naqueles olhos, naquela música que brotava não
só do sopro na flauta, mas de seu coração.
Depois de um tempinho ali, criei laços com o Sr. Pakerson,
mesmo que momentâneos. Eu tinha vontade de aprender com ele, então puxei
conversa. E ele foi me contando, gentilmente, sobre sua paixão pela música e
queria tocar algo que eu conhecesse, queria agradar... tocava uma música e em
seguida me perguntava:
- Essa você conhecia?
Aos 82 anos, sendo tão gentil com uma estranha, querendo
agradar através de sua música.
Preciso dizer mais alguma coisa?
Todos nós sabemos que vamos envelhecer, é a lei da natureza.
Não há como evitar!
Mas, que bela arte é envelhecer sem perder o brilho na alma.
Que coisa linda, envelhecer sem perder a doçura de um sorriso.
Vocês tinham que ver o sorriso do Sr. Pakerson, juro, com
todas minhas forças, era pura MAGIA!
Minha conclusão sobre essa tarde incrível que pude
vivenciar, é que eu gostaria de envelhecer como ele, lá, sentado à beira do
mar, tocando levemente sua flauta. Eu queria envelhecer assim, com brilho nos
olhos, brilho na alma, encantando as pessoas com um sorriso. Eu queria
envelhecer exatamente desta forma, “molinha”, sem me tornar amarga e cheia de
cascas, sem se tornar dura. Eu queria envelhecer me sentindo sempre uma menina,
que sorri com o coração.
Eu não tenho como agradecer, e explicar em mais palavras, a
sensação que aquela música, aquele sorriso, aquele brilho nos olhos e na alma,
me trouxe neste dia ensolarado. Obrigada Sr. Pakerson! :)